Tártaro

Cerca de 80% dos cães e gatos adultos, de alguma forma são acometidos por tártaro. Surgem mais fácil e rapidamente em comparação aos humanos devido ao pH alto da saliva e a não escovação (ou escovação deficiente).

Alguns animais apresentam mais ou menos tártaro dependendo de sua idade, dieta e principalmente de sua resposta imunológica. Animais de pequeno porte como o Yorshire e Pinscher possuem o mesmo número de dentes (42 no adulto) que um Dogue Alemão; apesar deles serem muito menores, o número de dentes parece ser demais para uma boca tão pequena, facilitando um acúmulo maior de tártaro.

→ O DESENVOLVIMENTO

Tártaro fase 1 - Pet MóvelInicialmente, forma-se a placa microbiana sob a superfície dos dentes (por isso a importância do polimento), com o passar do tempo se mineraliza, formando-se os tártaros dentários que, por sua vez, facilitam a adesão de novas bactérias, sendo assim uma doença progressiva.

Muitas vezes, esse problema dentário não é solucionado precocemente, Tártaro fase 2 - Pet Móveldevido a desinformação do proprietário, ou do receio do mesmo em submeter o animal a um procedimento anestésico para limpeza dos dentes e/ou remoção dos tártaros.

Tártaro fase 3 - Pet MóvelPorém, os proprietários devem estar cientes dos danos à saúde que os tártaros podem trazer ao animal, entre eles: gengivites, periodontites e afrouxamento dos dentes acompanhado de perda precoce dos mesmos. Além de doenças graves, como: nefrite, pielonefrite, endocardite, artrite infecciosa, entre outras.

→ A EVOLUÇÃO PARA ENDOCARDITE

O tártaro empurra a gengiva para cima, causando a gengivite. As bactérias presentes no tártaro penetram na gengiva e migram até o endocárdio (coração) causando a endocardite bacteriana, ou seja, cardiopatia causada pelas bactérias do tártaro.

A bactéria se aloja na válvula mitral, causando uma inflamação que altera a espessura do vaso, impedindo o seu fechamento completo no bombeamento do sangue para fora do coração, mantendo uma pequena abertura que permite o refluxo sanguíneo. Decorrente deste grave problema, o coração bate mais intensamente, causando o crescimento deste órgão vital.

O sintoma mais característico de problema cardíaco apresentado pelos cães é tosse seca e freqüente.

→ A EVOLUÇÃO PARA OUTRAS DOENÇAS GRAVES

Em decorrência do grande esforço a que o coração é submetido, aumentando o ritmo dos batimentos, os rins também ficam prejudicados, elevando a taxa de uréia, que provoca insuficiência renal.

A endocardite bacteriana também causa edema pulmonar (acúmulo de líquido no pulmão) e ascite (acúmulo de líquido na barriga). Além disso, o animal não consegue eliminar o muco da tosse, pois apresenta sensibilidade na faringe, o pulmão fica congesto e as fezes pastosas.

Tártaro - Pet MóvelPor isso: “Nunca espere os dentes de seu animal desaparecerem sob os tártaros, porque quando você procurar o seu veterinário pode ser tarde demais”.

→ ALGUMAS DICAS IMPORTANTES

  • detectando-se no animal, mau hálito, salivação excessiva e/ou dor ao mastigar, procure seu veterinário para uma inspeção da região bucal;
  • é preciso mesmo escovar dente de cachorro? Quem tem 5 Rottweillers super agressivos não vai escovar os dentes deles três vezes por semana nunca. Mas, se você quiser retardar o acúmulo do tártaro nos dentes do seu animal, a única maneira segura de se remover a placa bacteriana dos dentes é o atrito causado pela escova de dentes. Ainda não foi inventado nada mais eficiente. O ideal é que após a limpeza você consiga escovar os dentes  do seu cão/gato pelo menos três vezes na semana e com escova macia e pasta canina (jamais utilize creme dental humano, estes contém sabões que fazem aquela espuma toda e que são muito nocivos ao estômago dos animais).
  • oferecer aos animais “tiras mastigáveis” (couro não curtido), ossos digeríveis, petiscos e rações que auxiliem na limpeza dos dentes, também podem evitar formação da placa microbiana e, conseqüentemente, o tártaro dentário.

Castração

MITOS E VERDADES

A castração ainda é um assunto bastante polêmico para os proprietários de animais de estimação. Está associada à imagem de cães e gatos gordos e letárgicos, “cirurgia cruel”, “mutilação do animal”, etc.. É preciso desvendar o que há de falso e verdadeiro sobre a castração e entender bem quando ela é recomendada.

“A castração deixa o animal gordo”

Falso. A castração pode causar aumento do apetite, mas se a ingestão de alimento for controlada e o dono não ceder às vontades do animal, o peso será mantido. Observa-se que animais castrados quando jovens, antes de completar 1 ano de vida, apresentam menos sinais de aumento de apetite e menor tendência a se tornarem obesos. A obesidade pós castração é causada, na maioria das vezes, pelo dono e não pela cirurgia.

“A castração deixa o animal bobo”

Falso. O animal ficará letárgico após a castração apenas se adquirir muito peso. Gordo, ele se cansará facilmente e não terá a mesma disposição. A letargia é conseqüência da obesidade e não da castração em si. Os animais na fase adulta vão, gradativamente, diminuindo a atividade. Muitos associam erroneamente esse fato à castração.

“A castração mutila o animal, é uma cirurgia cruel!”

Falso. A cirurgia de castração é simples e rápida e o pós-operatório bastante tranqüilo, principalmente em animais jovens. É utilizada anestesia geral e o animal já está ativo 24 horas após a cirurgia. Não há nenhuma conseqüência maléfica para o animal que continua a ter vida normal.

“A castração evita câncer na fêmea”

Verdadeiro. As fêmeas castradas antes de 1 ano de idade, têm chance bastante reduzida de desenvolver câncer de mama na fase adulta, se comparado às fêmeas não castradas. A possibilidade de câncer de mama é praticamente zero quando a castração ocorre antes do primeiro cio. A retirada do útero anula a chance de problemas uterinos bastante comuns em cadelas após os 6 anos de idade, cujo tratamento é cirúrgico, com a remoção do órgão.

“O macho castrado não tem interesse pela fêmea”

Falso. Muitos machos castrados continuam a ter interesse por fêmeas, embora ele seja menor comparado a um animal não castrado. Se o macho é castrado e há uma fêmea no cio na casa, ele pode chegar a cruzar com ela normalmente, sem que haja fecundação.

“Castrando os machos eles deixam de fazer xixi pela casa”

Verdadeiro. Uma característica dos machos é demarcar o território com a urina. Se o macho, cão ou gato, for castrado antes de uma ano de idade, ele não demarcará território na fase adulta. A castração é indicada também para animais adultos que demarcam território urinando pela casa.

“Deve-se castrar a fêmea após ela ter dado cria”

Falso. Ao contrário do que alguns pensam, a cadela não fica “frustrada” ou “triste” por não ter tido filhotes. Essa é uma característica humana que não se aplica aos animais. Se considerarmos a prevenção de câncer em glândulas mamárias, ela será 100% eficaz, segundo estudos, se feita antes do primeiro cio. O ideal é castrar o quanto antes.

→ POR QUE CASTRAR OS MACHOS?

  1. Evitar fugas.
  2. Evitar o constrangimento de cães “agarrando” em pernas ou braços de visitas.
  3. Evitar demarcação do território (xixi fora do lugar).
  4. Evitar agressividade motivada por excitação sexual constante.
  5. Evitar tumores testiculares.
  6. Controle populacional, evitando o aumento do número de animais de rua.
  7. Evitar a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxo-femural, catarata juvenil, etc.. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças).

Se levarmos em conta quantas vezes um animal macho terá oportunidade de acasalar durante toda a sua vida reprodutiva, seria mais conveniente diminuir sua atração sexual pelas fêmeas, através da castração. O animal “inteiro” excita-se constantemente a cada odor de fêmea no cio, sem que o acasalamento ocorra, ficando irritado e bastante agitado, motivando a fuga de muitos. O dono precisa vencer o preconceito, algo que é inerente aos humanos apenas, e pensar na castração como um benefício para seu animal

→ POR QUE CASTRAR AS FÊMEAS?

  1. Evitar acasalamentos indesejáveis, principalmente quando se tem um casal de animais de estimação.
  2. Evitar câncer em glândulas mamárias na fase adulta.
  3. Evitar piometra (grave infecção uterina) em fêmeas adultas.
  4. Evitar episódios freqüentes de “gravidez psicológica” e suas conseqüências como infecção das tetas.
  5. Evitar cios.
  6. Controle populacional, evitando o aumento do número de animais de rua.
  7. Evitar a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxo-femural, catarata juvenil, etc.. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças)

É errado o conceito de que a castração só deve ser feita em cadelas de rua. Se o proprietário não tem intenção de acasalar sua fêmea, seja ela de raça ou não, é desnecessário enfrentar-se cios a cada 6 meses, riscos de gravidez indesejável e, principalmente, de doenças como câncer de mama e piometra. A castração garante uma vida adulta bastante saudável para as fêmeas e bem mais tranquila para os donos.